Registros do evento Sinais de Saturno #8, realizado na livraria Ponta de Lança no dia 26/10/2023. Curadoria e Apresentação: Luís Perdiz e Vanderley Mendonça. Poesia: Adelaide de Estorvo, Ademir Assunção, Isabela Rossi, Sandro Saraiva. Música: Bruno Gazoni.
Ademir Assunção
Ademir Assunção: Risca faca (2021)
Ademir Assunção (1961) é poeta e jornalista. Publicou 14 livros de poesia, contos, romance e jornalismo, entre eles A Voz do Ventríloquo (Prêmio Jabuti 2013), Pig Brother (finalista do Prêmio Jabuti 2016), Ninguém na Praia Brava, Adorável Criatura Frankenstein, Zona Branca, LSD Nô e Faróis no Caos. Tem poemas e contos traduzidos para o inglês, espanhol e alemão, publicados nos EUA, Espanha, Argentina, México, Peru e Alemanha. Gravou os cds de poesia e música Viralatas de Córdoba e Rebelião na Zona Fantasma. Letrista de música popular, tem parcerias gravadas por Itamar Assumpção, Edvaldo Santana, Titane, Patrícia Amaral e Ney Matogrosso. Jornalista profissional há mais de três décadas, trabalhou como repórter e editor em grandes jornais e revistas do país, como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde e Marie Claire. Idealizador e curador da exposição Leminski: 20 Anos em Outras Esferas, sobre a obra do poeta curitibano, no Instituto Itaú Cultural. É um dos editores da revista literária Coyote.
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Os poemas a seguir foram selecionadas do livro Risca faca (Selo Demônio Negro, 2021).
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CAVERNA
me tranquei na caverna com platão
pra enfrentar meus próprios males
não vi primata nem zapata nem dragão
ouvi o canto das sereias pelos bares
chamei pra briga o capeta de facão
senti o aço perfurando a carne mole
gritei bem alto um tremendo palavrão
chamei são jorge pra ajudar o filho pobre
daqui ninguém sai vivo nem com reza ou um milhão
um dia até o tolo acaba que descobre
perdi o medo de espelho e solidão
só levo a vida com a pele que me cobre
Ademir Assunção: Pig brother (2015)
Ademir Assunção nasceu em Araraquara/SP (1961). É poeta, escritor, jornalista e letrista de música. Autor de livros de poesia, ficção e jornalismo, como Zona Branca, Ninguém na Praia Brava e Faróis no Caos, ganhou o Prêmio Jabuti com A Voz do Ventríloquo (Melhor Livro de Poesia de 2012). Pig Brother, o livro seguinte, ficou entre os finalistas do Jabuti 2016.
foto: Marcus Mendra
Os poemas a seguir foram selecionados da obra Pig Brother (Patuá, 2015).
MICOSE NA PELE DO TEMPO
(segundo monólogo interior de Lili Maconha)
Há tempos o faquir polia as pontas dos pregos
com areia do Mojave.
Há tempos e dimensões perdidas
apenas esperando o momento certo da conexão.
Há o tempo lá fora, chuva de granizo,
fagulhas de fogos de artifício
e brumas que se movem.
Há o tempo dos estalidos distantes das estrelas.
E há o tempo do Aqui, esse templo da linguagem
que se enrola em frases-serpentes
enquanto escrevo
e que talvez continue traçando sinuosidades
muito tempo depois.
Mas de tempos em tempos
alguém estoura os miolos, alguém explode uma aeronave
alguém fecha o livro
e não o abre nunca mais.
Ademir Assunção: A Voz do Ventríloquo (2012)
Ademir Assunção nasceu em Araraquara/SP (1961). É poeta, escritor, jornalista e letrista de música. Autor de livros de poesia, ficção e jornalismo, como Zona Branca, Ninguém na Praia Brava e Faróis no Caos, ganhou o Prêmio Jabuti com A Voz do Ventríloquo (Melhor Livro de Poesia de 2012). Pig Brother, o livro seguinte, ficou entre os finalistas do Jabuti 2016.
foto: Fernanda Rudmer
Os poemas a seguir foram selecionados da obra A Voz do Ventríloquo (Edith Editorial, 2012).
BILLIE HOLIDAY
NA PORTA DOS FUNDOS
quanto abismo cabe
na palavra abismo,
quantos passos até a borda
da estrela-pantera-negra,
quantas brumas brancas,
quantos acordes de blues,
quantas noites sem sono
quantos abalos sísmicos
para sossegar o dragão
que cospe esse fogo azul
chamado névoa, vulcão,
solitude?