Pedro Mohallem: Mudaves (2025)

Pedro Mohallem nasceu em 1996, em Itajubá–MG. É poeta, professor e tradutor. Formou-se em Letras pela Universidade de São Paulo, onde também concluiu o Mestrado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês. Em 2019, publicou pela editora Patuá seu livro de estreia, Véspera; Debris, semifinalista do Prêmio Oceanos de Literatura. Seus trabalhos de tradução incluem a antologia poética Sol dos Insones, de Lord Byron, em parceria com Leonardo Antunes e Bruno Palavro (Zouk, 2022), e O Mercador de Veneza, de William Shakespeare (Sétimo Selo, 2024). Mudaves é seu segundo projeto autoral.



Os poemas a seguir foram selecionados do livro Mudaves (Ofícios Terrestres, 2025).



TRADUZIRES


Homero desembarca no Tietê;
Shakespeare acena a Chaucer de bombacha;
Bishop revira a Gávea, mas não acha
as chaves que caíram; Mallarmé
tromba cummings no campus; Browning vê
pousar um bem-te-vi – quebra a tarraxa;
Glück atravessa Dante cabisbaixa;
Celan faz gargalhar a Rabelais;
Li Bai faz uma live com Bashô;
Safo e Szymborska vão ao Memorial,
Chânfara e Adonis à Paulista; Poe,
só na cachaça – e o inferno tropical
roça de leve o pulso de Rimbaud
em Salvador, ao som de Dorival.

Leia mais

Claudio Daniel: O amor é uma língua estrangeira (2026)

Claudio Daniel é poeta, tradutor, romancista e ensaísta paulistano, formado em Jornalismo e doutor em Literatura Portuguesa pela USP, com pós-doutorado em Teoria Literária pela UFMG. Atuou como diretor adjunto da Casa das Rosas, curador de Literatura do Centro Cultural São Paulo e colunista da revista CULT, além de editar revistas e jornais dedicados à poesia e à crítica literária. Autor de obra traduzida para diversos idiomas, recebeu prêmios e bolsas de instituições como CULT, Itaú Cultural e Funarte, participou de importantes festivais e antologias nacionais e internacionais e organizou eventos literários no Brasil e no exterior. Atualmente, atua como professor de criação poética, mantendo também projetos voltados à difusão da literatura e da poesia contemporânea.



Os poemas a seguir foram selecionados do livro O amor é uma língua estrangeira (Primata, 2026), que pode ser comprado neste link.


ESCARAVELHOS


escuro
é o caminho
onde
nos encantamos
fragmentados
em cenários
evasivos
acreditando
em impossibilidades
lapidamos escamas
de serpente albina
seara difratada
onde todo amor
coagula.
somos lunares
aquosos
imprecisos;
ocorre que
a música
da pele
incita ao jogo
de escaravelhos
à pureza
do ácido
e da cicatriz


Leia mais

Luís Perdiz: A selva nos seus olhos (2026) – Audiolivro

Audiolivro “A selva nos seus olhos”, poemas de Luís Perdiz com arranjos de Bruno Gazoni. Participação especial de Malu Maria na faixa “II”.

Poemas e leitura: Luís Perdiz
Compositor, performer musical, mixagem e masterização: Bruno Gazoni
Fotografia da capa: Ambrosina Daguerre

Este audiolivro foi concebido com o apoio de uma bolsa de criação literária concebida em 2025 pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Edital PNAB Nº 28/2024 na categoria Obra Literária Inédita.


Ouça o audiolivro completo neste link.

Millôr Fernandes: Hai-kais (1997)

Millôr Fernandes foi um dos mais versáteis e influentes intelectuais brasileiros do século XX, destacando-se como escritor, jornalista, dramaturgo, cartunista e tradutor. Nascido no Rio de Janeiro em 1923, construiu uma carreira marcada pelo humor inteligente, pela crítica mordaz e pela habilidade de transitar entre diferentes linguagens, do texto literário à charge. Colaborou com importantes veículos como a revista “O Cruzeiro” e foi um dos fundadores de “O Pasquim”, publicação emblemática na resistência cultural durante a ditadura militar no Brasil. Com um estilo irônico e profundamente observador, Millôr deixou uma obra vasta que questiona costumes, poder e a própria linguagem, consolidando-se como uma figura central do pensamento crítico e do humor no país até sua morte, em 2012.


Os poemas a seguir foram selecionados do livro “Hai-kais” (L&PM, 1997).


Na poça da rua
O vira-lata
Lambe a lua.

Leia mais

Victor Del Franco: Trilogia Arcanos (2026)

UMA TRAVESSIA ENTRE ARCANOS
por Victor Del Franco


Muitos anos já ficaram para trás desde o rascunho inicial e da escrita dos primeiros versos que viriam a se tornar uma trilogia inesperada.

Sim, tudo começou de maneira casual em janeiro de 2016, por conta de uma proposta de criação literária do Palavraria, um coletivo de escritores e poetas que se reunia quinzenalmente na Casa das Rosas em São Paulo.

A proposta era a seguinte: sortear duas cartas de um baralho de tarô e, a partir destas cartas, escrever dois contos ou dois poemas que fizessem referência direta aos respectivos arcanos sorteados. Pois bem, os arcanos que eu sorteei foram o Imperador e o Julgamento.

Leia mais